segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

Ciência

Noutro dia nessa vida
Sentada, pensava na lida
Se foi bem ou mal vivida
Eu não sei

Se hoje tô satisfeita
Se sou torta ou moça direita
Se tô numa estrada larga ou estreita
Eu não sei

Não olho pra trás com desdém
Mas pra frente não olho também
Se sou do mal ou do bem
Eu não sei

Se vou ter filho ou nenhum
Se na terra serei só mais um um
Se sou extraordinário ou comum
Eu não sei

Eu digo o que sei e o que penso
Se faz parte de um consenso
Se agrado ou só passo tempo
Eu não sei

Eu prezo sempre a verdade
E fujo de vaidade
Mas se o mundo vê nisso bondade
Eu não sei

Eu queria o mundo abraçar
Ter de tudo e de tudo ter pra dar
Mas se a vida vai possibilitar
Eu não sei

E se isso me fará mais plena, feliz
Ou se vou terminar como eterna aprendiz
Se vc entende o que minha poesia diz
Eu não sei.

Não sei.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

Cuide da sua varanda!

Durante um ano eu morei no primeiro andar de um prédio com três. Na parte de trás do apartamento, tinha uma área pequena onde ficava minha máquina de lavar, um tanque e o botijão de gás. Um Pequeno, mas ajeitado.
Acima de mim, os outros dois apartamentos que tinham mais quartos e eram maiores. Ou seja, os dois apartamentos, de um quarto, do primeiro andar equivalem a um apartamento do segundo e terceiro andar, com dois quartos.
O dono dos apartamentos e construtor do prédio, um senhor muito caprichoso , pensou em detalhes o projeto pra que todos os apartamentos , mesmo os menores, tivessem espaço pra tudo.

No apartamento do segundo andar morava uma família: pai, mãe e dois filhos; uma menina que devia ter seus nove anos, e um menino adolescente que, acredito eu, beirava os dezessete. No terceiro andar morava um casal de senhores. Eu quase não os via e a última notícia que tive deles não foi muito agradável, por isso, nesse texto, resolvi focar no povo do 201.
Eles eram muito barulhentos, muito!! A menina corria pela casa e eu podia, perfeitamente, ouvir em que cômodo ela estava só com as passadas fortes sobre a minha cabeça. Fora isso, todo dia  quebravam-se coisas. Eu imagino que aquela mulher devia ter uma cristaleira imensa ou algo do tipo, tamanha a quantidade de vidro que quebrava. O menino parecia um santo; quando os pais estavam em casa. Mas quando saíam... eu já pensei em chamar a polícia algumas vezes por causa dele. Mas pra evitar a fadiga e confusão, deixava pra lá até que eles voltassem e tudo retornasse ao seu estado "normal". Mas, senhores, acreditem, nada disso me incomodava muito. Não tanto quanto um fato muito importante. TUDO caía da casa deles na minha varanda, área, seja lá como quiser chamar. Eu vou chamar de varanda, mas você já entendeu. Enfim, eu encontrava cabelo, pente, papel de bala, copo de plástico: tudo!
Um dia eu estava vendo televisão e um barulho muito forte e alto veio de lá dá parte de trás. Eu corri,com medo, mas fui ver o que estava acontecendo. Uma garrafa de baygon, atirada lá de cima, caiu em cheio acertando o botijão de gás. Mas foi um barulho, um susto, um ódio!
Eu fiquei quieta por muito tempo . Até frasco de exame de urina (ninguém tira da minha cabeça que era isso) já caiu de lá pra baixo. Depois disso eu comecei a gritar que estava insatisfeita pra ver se eles se mancavam e tomavam mais cuidado, mas não. Continuava a mesma coisa.

Numa noite estava cozinhando e escutei um barulho de água corrente descendo na área. Zero chance de chuva, senhores. Abri a porta da área e encontrei muita água e flores, muitas. Eu nem pensei. Subi as escadas a ponto de explodir. Bati na porta e a menina atendeu com os dois olhos esbugalhados. Perguntei pela mãe dela e ela disse que estava sozinha em casa.

"Tia, desculpa. É que eu estava fazendo trabalho de casa de artes e o baldinho virou lá pra baixo, não vai acontecer mais..."

Morri de pena, fiquei com vontade de chorar. Disse pra ela tomar mais cuidado e desci, limpei e esperei a próxima. Fazer o que.

Depois disso, passaram umas três, quatro  semanas e eu comecei a perceber que o prédio estava um silêncio, uma paz. Minha área (eu falei que chamaria de varanda né? Eu sendo eu) estava sempre limpa. Pensei: educaram-se! E segui a vida.
Um dia falei com a proprietária que estava com vontade de me mudar pra um apartamento maior e ela sugeriu que eu escolhesse um dos apartamentos de cima, já que estavam todos vazios. Sim, senhores; eu estava morando sozinha no prédio e não percebi.
Com medo de continuar sofrendo com bateções na cabeça, eu escolhi o 301.
Uma semana depois da minha mudança uma outra família começou a morar no  201.

Na primeira semana morando no 301 eu deixei cair lá embaixo: um chinelo, duas garrafas de Pinho, um balde, um vaso de plantas...

No ano novo eu deixei cair um vaso lá embaixo e, como Murphy é muito meu amigo, o vaso bateu na torneira que liga o tanque e começou a descer muita água. Fui na casa da dona do apartamento pra ela abrir a porta e fechar a torneira, mas já tava lá Murphy de novo e ela tinha viajado. Pensei, pensei. Fiz uma corda com meus cintos, pensei em descer escalando, mas a chance de morte era muito grande. Calculando bem, do 201 dava pra pular, mas quem disse que eles estavam em casa? Esperei, meus amigos. Até que às dez eles chegaram.
Bati lá com muita vergonha, expliquei. Ele pulou, fechou e eu fui pra casa.
Pedi perdão a Deus e mentalmente pedi que os antigos vizinhos do 201 também me perdoassem. Eu estava sendo uma vizinha muito pior que eles. Muito pior!
A gente nunca sabe quando vai estar no lugar do outro. Eu nunca pensei que um dia estaria no lugar da família do 201. Mas estou e não tô fazendo diferente. Hoje entendo porque caíam coisas. Eu tento evitar, mas nem sempre dá. E com isso fica a lição, meus caros. Cuidem de suas varandas. E sejam pacientes com as varandas dos outros. Nem sempre o outro quer derrubar coisas na sua cabeça. É difícil ter esse entendimento e paciência, mas hoje é tudo que eu peço que a vizinhança de baixo tenha.

Outro dia deixei cair três panos de chão, mas a moça do 201 pegou pra ela. Nem fiz questão..  deixei de brinde.

Nana.

sexta-feira, 18 de março de 2016

Barata de medo!

Faz alguns meses que eu decidi morar sozinha. E esse é o tipo de decisão que muda tudo na sua vida e ao seu redor. É um passo que você dá rumo ao desconhecido, sem saber se vai dar certo, se vai dar conta, se vai dar. Mas quando você decide por coisas desse tipo, você sabe que  tá suscetível a viver de tudo; das melhores às piores coisas.

Eu enfrentei muitas coisas depois que decidi por isso. Enfrentei ter que gastar um dinheiro que não tinha,  enfrentei ter que abrir mão de algumas coisas, enfrentei uma tempestade no dia da minha mudança (mas minha fé ao Deus vivo me manteve de pé e cessou a tempestade. Ele é craque nisso), enfrentei ter que comprar tudo do zero, começar do zero. E dentre as tantas e tantas coisas que enfrentei, eu enfrentei baratas.

Sim, é daquele animal nojento mesmo, daquele inseto asqueroso que eu tô falando.

A vida inteira eu sempre tive alguém que matasse as baratas pra mim. Sempre! Eu não tenho medo de barata. Se dissesse isso estaria mentindo, mas eu tenho muito nojo e mais nojo ainda de matar o bicho. Aliás eu tenho nojo de matar qualquer bicho!! Até mosquito, mosca... Ecaaa! O fato de ter que matar o dito cujo me faz tão mal que eu até "prefiro" ter que enfrentar o fato dele dividir o mesmo espaço que eu, tamanha a minha ojeriza pela morte matada do animal.

E quando me mudei, nas primeiras semanas, eu já me deparei com essa realidade. Uma barata IMENSA entrou no meu banheiro. E essas baratas imensas são muito abusadas, porque elas ficam te olhando e te encarando como quem diz "olha meu tamanho rapá! Você não tem essa coragem". Não, eu não tenho.
Eu gritei, chorei, tranquei a porta do banheiro, abri de novo, chorei mais. E a bicha lá. E eu deixei ela lá porque eu não sabia como enfrentar. Depois de umas 4hs sem usar o banheiro, já quase com xixi rolando pelas pernas eu decidi abrir a porta e notei que ela sumiu, escafedeu-se.

Partindo da máxima de que onde come um, comem dois eu fui ao mercado e decidi me precaver com esses mata-baratas. Comprei um baygon super power bolado, que mata até as plantas, e deixei guardado ao alcance das mãos. Dito e feito. Fui lavar roupas e quando abri a máquina a bicha estava lá (a mesma, outra, tanto faz). Ela me lançou o mesmo olhar ameaçador, mas dessa vez eu tinha uma arma e não iria fugir. Com as mãos trêmulas eu peguei o spray e lancei sobre ela com toda minha ira

" MORRE DESGRAÇA"!!!!

Ela tonteou pra lá, pra cá, entrou na máquina e se entranhou no meio de umas poucas peças de roupa. Num ato desesperado, eu fechei a máquina e liguei. Dane-se!! Era tudo ou nada naquela guerra. Esperei ansiosa a máquina acabar de trabalhar e abri a tampa com muito medo e esperança de encontrá-la morta, enfim. Mas não, a peste saiu cambaleando, sem me encarar. Lancei sobre ela mais uma jatada de baygon e ela enfim morreu.

Eu sabia que esse não seria o melhor jeito de lidar com essa situação. Quem bate uma barata na máquina de lavar pra que ela morra? Mas eu também sabia que essa não seria a última inimiga, e não foi.

Enquanto eu fazia comida outra asquerosa apareceu. Essa com o mesmo tamanho das outras porém com o adicional de poder voar!! A bicha veio num rasante bizarro e parou no fogão. Olha a afronta!! Portei o mesmo baygon,  mas pensei: acho que sámerda é inflamável. Se eu depois acender o fogo, posso queimar a casa!! E queridos, nunca foi minha intenção tacar fogo na casa por causa de uma barata.
Peguei o pano de prato e dei uma porrada tão forte nela que voou longe, literalmente. Parou na sala e veio na minha direção, me desafiando.
Tomou três jatadas das brabas e não se abateu, continuou vindo e vindo! E eu recuando, e gritando e ela vindo e vindo mais! Até que num ato desesperado, eu pisei nela. Instintivo. E ela ficou ali, morta, derrotada, sob meus pés. Acabou.

De lá pra cá, as que sobrevivem ao veneno que espalhei pela casa, eu enfrento assim. Duas jatadas de baygon e um pisão! E fim!

Escrevi tudo isso pra dizer que muitas vezes a gente não tá acostumado com as baratas que aparecem e o desafio de acabar com elas. Quantas vezes nos deparamos com as nojentas "baratas" da vida e tratamos de maneira alucinada a situação, não sabemos como agir. Tentamos subterfúgios pra nos livrar de um problema que parece gigante, mas é tão pequeno! Tão pequeno que destruímos apenas com o pisão de um pé.

Espero que a gente sempre lembre que nossas atitudes tem um poder gigante! Tanto pra permitir que baratas morem nas nossas vidas por horas, dias, meses, anos, quanto pra ter a atitude de dizer "chega" e tirá-las do nosso caminho.

Eu ainda tenho pavor de matar baratas! Ainda grito, choro... Mas me dei contas de que na guerra entre elas e eu, desculpa, mas já temos um vencedor!

Obs: enquanto escrevia uma lagartixa entrou na minha cozinha. Foi uma das piores experiências da minha vida e acho que não preciso contar o final.

                                      Nana.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

É, amor.

Odeio quando eu fico besta.

Odeio quando meus olhos ficam marejados com lágrimas de emoção ao ouvir uma música. Ou quando olho pro céu, ele tá azul, os pássaros cantando e o sol sorrindo. Odeio sentir tanta alegria nisso tão pequeno. Tão lindo e pequeno.

Odeio quando eu ligo o rádio e tá tocando aquela música que me lembra sua mão, seu cabelo, seu rosto, seu sorriso tão perto do meu sorriso. Sorriso besta esse que fica estampado na minha cara ouvindo música de olhos fechados. Que ódio.

Detesto ficar ouvindo mil vezes a mesma mensagem ou lendo bilhões de vezes o mesmo texto pra lembrar de coisas que eu jamais esqueceria. Mesmo se eu quisesse, mas eu não quero. Odeio não querer. Pra que tanto querer?

Me sobe uma raiva quando eu fico esperando uma buzina na minha porta, meu telefone tocar, meu celular apitar, meu nome gritado na rua, uma foto de ingresso de cinema ou do seu pé na areia quente. A gente fica num sofrimento esperançoso gostoso, uma tristeza acolhedora, um nervoso que acalma. 

Mas que horror!

Odeio quando leio poesia e todas eu queria transcrever, tatuar, escrever nas paredes da minha casa. Em todas as paredes. Em todos os cômodos.

Odeio ser tão louca a ponto de ficar negando opções, negando corações, negando sugestões. Negando tudo, por alguém que eu não sei se me nega, renega, cega...


Eu não sei nem como posso terminar esse texto, de tanta raiva, tanto ódio, tanta lágrima, tanta esperança, tanta saudade. Tanta saudade.


                                                                                                               
                                                                                                                  Nana.

terça-feira, 5 de janeiro de 2016

O primeiro amor - Série Biografia



Eu jamais escreveria sobre isso por uma série de motivos; mas aí no trabalho, rodando nas playlists da vida e do Youtube parei na Madonna. E essa mulher teve um papel crucial na minha existência, ela me apresentou ao meu primeiro amor.

Vou explicar. Tentar, pelo menos.


Vamos começar dizendo que nesse texto estamos falando de uma criança de aproximadamente 7, 8, 9 anos no máximo. Crianças não possuem muitos critérios para se apaixonar por alguém. Elas se apaixonam e pronto. Por um coleguinha da escola (o mais normal de acontecer, eu acho), pelo professor, que acaba virando uma espécie de "ideal", de pessoa inteligente e culta e adulta (tô blefando?), pelo cantor de uma boy band, pelo vizinho... enfim, meninas se apaixonam por uma série de motivos por pessoas que às vezes até admitimos uma paixão e outras não.


Poucas pessoas sabem disso sobre mim. Na verdade acho que só contei pra uma amiga em toda a minha vida! E agora eis-me aqui abrindo meu coração... meu Deus.


Minha mãe era muito fã da Madonna. Cresci cantando "Like a Virgem" como se fosse "atirei o pau no gato". Nas festas eu dava show porque sabia todas as letras. Ela era fã, ouvia, e eu ouvia junto, cantava junto, dançava junto. Na escola que estudei durante anos as freiras proibiram a gente de sequer pronunciar o nome da cantora. Cantar suas músicas muito menos. Era advertência na mesma hora e a chamada dos responsáveis no colégio. Essa segunda parte não me preocupava muito; não era eu quem tinha aquela quantidade de discos da diva do Pop e, caso minha mãe fosse chamada, ela é que teria que dar boas explicações às madres. Eu era só uma criança.


Até que num belo dia, eu não lembro exatamente onde, mas tinha um canal que transmitia clipes das músicas durante um determinado horário. Gente, não vou lembrar, mas sei que isso existia, e foi aí que tudo aconteceu. Eu estava vendo o programa e começou a passar o clipe da música Vogue. Um clipe em preto e branco com plumas, estátuas, ela maravilhosa com uma roupa cheia de brilhos, as backing vocals fazendo carões e poses diversas, os modelos, um homem com um espanador limpando uma escada, mais Madonna com a roupa brilhosa, e ele! Eu posso sentir o mesmo arrepio que senti naquele dia quando vi o meu dançarino (desculpa, mas é assim que o chamo desde sempre) pela primeira vez!!! Que coisa mais linda, minha gente! E aí volta pra mais Madonna, mais gente estranha limpando a casa e ele de novo, de terno, gel no cabelo, coisa mais maravilhosa da vida. Eu passei aquela eternidade de quase 5 minutos encantada por aquele homem dançando e fazendo poses, junto com muitos outros, mas quem liga pros outros? Quando você ama de verdade você foca, nem olha pros lados. É assim que acontece.


E quando aquele clipe acabou e eu não sabia mais quando iria vê-lo novamente, foi muito dolorido pra mim. Passei muito tempo com a imagem dele na minha cabeça. Até que uma amiga da minha mãe deu a ela de presente uma fita de vídeo (pasmem) com TODOS os vídeo clipes da Madonna. Gente... Gente... Acho que nem preciso dizer né? Sim, preciso sim. Eu pausava a fita, passava pra frente, e pra trás e pra frente e pause, e nos muitos outros clipes que ele aparecia a mesmíssima coisa! E ele dançava, pulava, se esticava todo... E meu corpo e coração iam junto naquela dança toda louca e sensual, como eu acho que diz o Naldo. Não é isso que ele diz? Não importa.


Tem um vídeo maravilhoso de um ao vivo de "Express Yourself" que, se eu fechar os olhos, eu consigo ver todinho na minha cabeça. 

As crianças todas focando na Xuxa e na Angélica e eu querendo um dançarino daquele pra me ensinar a dançar lambada. Imagina, o ritmo proibido com meu dançarino.... 

Passei a cagar pra Madonna e procurava ele no meio de todos aqueles outros dançarinos. O tempo todo isso, em todos os vídeos.


Até hoje não faço ideia do nome do cidadão maravilhoso que tomou horas do meu dia, noites nos meus sonhos e um pedaço grande do meu coração. Não sei sequer se ele depois dançou com outros artistas. O tempo passou, o amor esfriou, os dançarinos mudaram, foquei em outras coisas, outros artistas, outros amores, enfim. Mas meu primeiro amor, platônico, mas não menos amor, foi o dançarino da mãe de Lourdes Maria. Ufa!! Falei. Não carrego mais isso sozinha! 


"Express Yourself"... aprendi desde nova, tamo aqui pra praticar.


Nana.







obs: Não vamos pôr em xeque a opção sexual do rapaz. Eu era criança demais pra entender certas coisas...rs.






quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

Mais cigarras...

O mundo tá precisando de gente mais leve...
De gente que gosta de gente, de gente que gosta de bicho
De gente que cheira uma flor pelo menos uma vez por semana, mas o mundo tem cada vez menos flores...
O mundo tá precisando de gente que ache menos graça na desgraça, que não goste de sangue e dor
Gente que gosta de sorrir, mas não se importa em chorar
O mundo tá precisando de gente limpa, com a mente, o coração e as mãos claras
Os olhos já enganam demais
O mundo precisa de menos eufemismo, menos cinismo, bem menos
O mundo precisa de gente que olha pro céu e agradece a Deus, precisa de gente que acredita em Deus!
"Os ombros suportam o mundo", mas o mundo não cabe nos ombros
O mundo precisa de mais cigarras e menos formigas
Mais cigarras, menos formigas!

Nana.

segunda-feira, 16 de novembro de 2015

Mulheres, chega!

Eu iria fazer textão no facebook, mas se eu detesto ler o dos outros, não seria nada bacana e lógico fazer com que o povo lesse o meu. Então, senhores e senhoras, vai por aqui mesmo, na minha casa.

Recebi ontem o depoimento de uma grande amiga, uma mulher batalhadora, esforçada, bem sucedida, esclarecida, engraçada, gostosa, enfim, uma Mulher com M maiúsculo. E no depoimento ela contou que acaba de sair de um relacionamento abusivo após ter sofrido uma agressão física do então namorado. Namorado esse que se apresentou como um príncipe, educado, gentil, romântico e se transformou num homem possessivo e ciumento. A gente sabe que pessoas não "se transformam". São. E a gente não percebe por uma série de motivos. Mas isso não vem ao caso. O caso é que ele já vinha demonstrando sinais de que a qualquer momento teria atitudes monstruosas e, por amor, por cegueira, por acreditar que o cara iria mudar, que era apenas uma fase, ela foi postergando o fim desse relacionamento.

Queridas, queridas. Chega!!! 

Estamos submetidas a isso o tempo todo, aceitando coisas desse tipo o tempo todo! Ela, óbvio, terminou esse relacionamento, mas fico pensando em quantas de nós se subjuga a isso por anos, por toda uma vida! Relacionamentos que nos diminuem, que fazem com que a gente se sinta presa, pequena, acuada! Não!!!!

Nenhuma de nós precisa passar por isso. Nenhuma de nós DEVE passar por isso. 

Conquistamos nosso espaço, aliás, estamos conquistando a passos lentos porque, cada vez que fico sabendo de uma história dessas, percebo que estamos longe de ter um lugar ao sol!

São ofensas, tapas na alma e no corpo. Violência verbal, física, psicológica. Um jugo pesado, difícil de carregar. Um peso que não temos força pra carregar porque não temos estrutura pra isso. 

Você não precisa se permitir a passar por esse tipo de coisa pra ter um homem pra chamar de seu. Até porque "pertencer" a uma figura que é capaz de fazer isso com você não tem bônus algum.

Às vezes, na rua, vejo cada situação que fico pensando: como alguém se sujeita a isso? E lembro que eu também já me sujeitei. E tô começando a achar que todas as mulheres do mundo já passaram por algo pelo menos parecido! Eu tô falando de mundo, queridas! Nível mundial a coisa.

É grosseria por ciúmes, possessão, raiva, falta de paciência, imaturidade, uma série de coisas que não explicam e nem justificam!

Triste, viu? Tristíssimo!

E eu sei que não é uma coisa de agora. Mas estamos em pleno século XXI, sabe? Tantos avanços, tecnologias, e ainda temos homens que pensam e agem como homens das cavernas. Somos criadas desde pequenas para sermos mães e mulheres que cuidam de casa, estudam e precisam ser bem sucedidas em tudo o que fazem. Nos enfiam uma boneca no colo, um fogão com panelinhas e a gente já cria uma expectativa de crescer, ter essa realidade e idealiza um príncipe (que nos fazem acreditar que existe) pra complementar toda essa felicidade "Margarina Qually". Ok. E aí a gente cresce, amadurece, e o príncipe não aparece. Temos que aceitar os monstros. Desculpa, mas não.

Querida, ame-se mais! Valorize-se! 

Você é linda e importante a sua maneira. Nada e ninguém pode fazer com que você se aproprie do contrário. Eu já fiz isso e digo com todo o fôlego do meu ser: NÃO VALE A PENA!!!

Chega de relacionamentos abusivos,  chega de acreditar que a mulher merece apanhar. Não tá satisfeito com o que tem, querido!? Rala, vaza, mete o pé!

Por mais rosas em nossas salas, por mais jantares a luz de velas, por mais cartas de amor e declarações ao som do violão, por mais beijos e palavras de carinho. Mãos dadas e afeto. Do contrário, diga não.

Nana.